Candidato do PL fala à jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo. Presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, foi entrevistado nessa quinta-feira (15).
O candidato à Presidência pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, concede nesta sexta-feira (16) entrevista à Globo. À jornalista Renata Lo Prete, Flávio prometeu manter o fim da escala de trabalho 6×1, disse que só quer um mandato e que “não está no radar” ter o pai, Jair Bolsonaro, com cargo em um eventual governo dele.
A entrevista, direto dos Estúdios Globo, no Rio, faz parte da cobertura do segundo turno das Eleições 2026. O programa é transmitido pela TV Globo, pela GloboNews e pelo g1.
Confira os principais temas da entrevista de Flávio Bolsonaro à Globo:
Ajuste fiscal
O senador Flávio Bolsonaro foi questionado sobre suas propostas para fazer ajuste fiscal e afirmou que vai manter o reajuste de salário mínimo vinculado à inflação, que não vai desvincular o percentual de reajuste para corrigir aposentadorias e que não vai eliminar pisos de gasto com saúde e educação.
“Importante suas perguntas, porque têm circulado, de fato, muitas fake news, e esse é um importante momento para esclarecê-las, porque o meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo”, disse.
O senador afirmou que, sem mexer nestes três pontos, o reajuste nas contas públicas virá de corte de “ao menos dez ministérios” e que parte dos gastos estão vinculados à corrupção e à má gestão de estatais.
“Se pegar os quase R$ 3 trilhões de dívidas que a União tem a receber, isso pode ser securitizado, trazemos mais de R$ 200 bilhões a mais de receita para esse orçamento por ano, para cada ano é possível alcançar essa cifra”, disse Flávio, ao citar os royalties do petróleo como outra fonte de receitas.
Escala de trabalho 6×1
Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que mudou de posição sobre o fim da escala 6×1 após ouvir trabalhadores durante a campanha e negou que vá reverter a medida caso seja eleito presidente.
Questionado sobre ter chamado a proposta de eleitoreira e oportunista antes de votar a favor dela, o senador declarou que decidiu acompanhar a vontade da maioria dos trabalhadores.
“Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas. Como ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam a favor do fim da escala 6 por 1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, afirmou.
Ao ser questionado sobre a intenção de aliados de retomar uma proposta do PL que previa salários proporcionais às horas trabalhadas, negou que fosse atuar para reverter o fim da escala.
“Não vou, Renata. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso”, declarou.
Reforma do Judiciário e críticas a Moraes
Flávio Bolsonaro afirmou que uma reforma do Judiciário deveria buscar a recuperação da credibilidade do Poder, e citou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a quem acusou de interferir em diferentes assuntos e perseguir adversários políticos.
“Do jeito que está hoje, de fato, nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes, o dono da caneta, interferir em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, disse. O candidato mencionou suspeitas de envolvimento de Moraes com Daniel Vorcado, ex-banqueiro, dono do Master, e atualmente preso.
Questionado sobre as denúncias de que o ministro Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro (PL) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teria vínculos com Vorcaro, Flávio disse que Kassio também deveria ser investigado.
“Todo mundo tem que estar abaixo da lei”, afirmou.
Flávio defendeu o impeachment de Moraes por “atuação político-partidária”.
“Por exemplo: tomar decisões quando obviamente deveria se declarar suspeito para tomar essas decisões. Foi o que o Alexandre de Moraes fez, tomando decisões perseguindo adversários que ele pré-determinava”, disse.
Reeleição para presidente
O candidato disse ser contrário a mudanças na regra da reeleição que permitiriam a entrada de familiares em uma eventual disputa. Respondeu que não apoiaria uma possível disputa por parte de seu pai, Jair Bolsonaro, ou de seus irmãos.
“Não [apoiaria a mudança]. É como está hoje na regra: vale que o parente até terceiro grau seja considerado uma reeleição”, disse.
O candidato havia sido questionado sobre falas dele no passado, nas quais defendeu o fim da reeleição para o cargo de presidente e uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que aumentaria os mandatos de quatro para cinco anos.
Na avaliação de Flávio, caberá ao “processo legislativo” decidir o tamanho do mandato. Ele afirma só precisar de um governo para “começar a consertar” o país. “Não quero começar o mandato pensando na reeleição”, declarou.
Ainda segundo Flávio, o fim da reeleição deveria ser aplicado a outros cargos do Executivo, como os governadores.
Caso Master e Dark Horse
Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a diferença entre os R$ 134 milhões que pediu a Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro, e o custo de R$ 75 milhões da produção. Em resposta, o candidato afirmou que o contrato não foi cumprido e que os recursos recebidos do banqueiro e de outros investidores permitiram concluir a obra.
“Era um contrato que não foi cumprido. E, com os recursos que foram aportados por ele e mais outros investidores, nós conseguimos concluir o filme”, declarou.
Questionado sobre o destino dos quase R$ 70 milhões repassados por Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos, Flávio afirmou que a produtora brasileira prestou contas de tudo e que os gastos dependiam de autorização do fundo. O senador sustentou que se tratava de um patrocínio privado e negou ter oferecido contrapartidas em razão do cargo que ocupava.
O candidato também afirmou que procurou outros possíveis investidores antes de obter o apoio de Vorcaro. Segundo ele, o banqueiro aceitou financiar o filme numa época em que “não tinha absolutamente nada de errado”.
Jair Bolsonaro em eventual governo Flávio
O candidato foi questionado se, em uma eventual vitória, seu pai Jair Bolsonaro teria um cargo garantido no governo. Flávio respondeu que o pai “nunca tratou de cargo” com ele. Disse, ainda que, se for presidente, seu pai será “o povo brasileiro”.
“[Jair] Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo. Nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo. Eu tenho o privilégio de, a hora que eu precisar, consultar um ex-presidente da República, ter [alguém] dentro de casa, de confiança. Então eu sou um privilegiado por isso, mas [ele] nunca tratou de cargo comigo.”
Eduardo Bolsonaro não será chanceler em eventual governo
Questionado sobre um eventual futuro governo, Flávio Bolsonaro disse que o seu irmão, Eduardo Bolsonaro, deputado federal cassado, não será escolhido para comandar a política externa do país.
“Não, ele não vai ser meu chanceler”, disse e defendeu o irmão. “Eduardo Bolsonaro é um perseguido político que está lá foda [Estados Unidos] denunciando as arbitrariedades que existem aqui no Brasil”, definiu.
Eduardo foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no Supremo Tribunal Federal em processo sobre trama golpista. A Corte considerou que o deputado cassado tentou atrapalhar o julgamento do próprio STF que apurou tentativa de golpe em 2022 — e que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses.
No processo, o filho de Jair Bolsonaro era acusado de promover junto ao governo Donald Trump, dos Estados Unidos, ações para criar um clima de instabilidade e temor, ameaçando e projetando retaliações estrangeiras contra ministros do STF e o Brasil. Ele foi considerado culpado e condenado.
Lula foi entrevistado nessa quinta (15)
O presidente Lula, que tenta a reeleição, abriu a série de entrevistas da Globo com os candidatos que disputam a Presidência neste segundo turno. A ordem das entrevistas foi definida por sorteio em reunião com representantes das campanhas.
Na entrevista a Renata Lo Prete nessa quinta-feira (15), Lula defendeu a redução da maioridade penal no caso de crimes hediondos e pediu a investigação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) suspeitos de envolvimento no caso Master. Veja aqui o que o presidente disse à Globo.
Quando será o debate presidencial da Globo?
No dia 23 de outubro, a TV Globo realizará o último debate entre os candidatos à Presidência da República no segundo turno das Eleições 2026.
Foram convidados Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O encontro será realizado nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, e mediado pelo jornalista César Tralli.
O debate será transmitido ao vivo pela TV Globo, com exibição simultânea pela GloboNews e pelo g1, logo após o Jornal Nacional.
Por Arthur Stabile, Hadass Leventhal, Nayara Felizardo, Victória Cócolo, g1 — São Paulo
